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Iraque: mais de 900 pessoas no corredor da morte de frente para iminente execução.

15/12/2009

Amnistía Internacional

 
As autoridades iraquianas devem suspender imediatamente a execução de mais de 900 pessoas no corredor da morte, que esgotaram seus recursos legais depois de condenadas à morte e poderiam ser executadas a qualquer momento, segundo a Anistia Internacional.
Sentenças de prisioneiros, incluindo 17 mulheres, foram ratificadas pelo Conselho Presidencial, o primeiro passo antes de realizar as execuções. Como se sabe, este ano, até agora, pelo menos 120 pessoas foram executadas no Iraque.
“No país que já tem uma das maiores taxas de execuções em todo o mundo, a possibilidade de aumentar significativamente esta estatística, é realmente preocupante”, disse Philip Luther, vice-diretor da Anistia Internacional, Oriente Médio e Norte da África.
Muitos dos presos foram condenados por delitos como homicídio e seqüestro. É provável que alguns tenham sido condenados em julgamentos injustos.
O governo trata de se mostrar duro e capaz de superar a difícil situação de segurança do país antes das eleições de 2010.
Os políticos da oposição manifestaram a preocupação pelo fato de que as execuções podem estar sendo realizadas, antes das eleições, para permitir que o partido Dawa obtenha vantagem política. Eles pediram ao governo que suspenda temporariamente todas as execuções.
Uma das mulheres que enfrenta a execução é Samar Sa’ad Abdullah, condenada à morte em 15 de agosto de 2005. Foi declarada culpada do assassinato de seu tio, da esposa deste e de um de seus filhos, em Bagdá.
Alegadamente, Samar Sa’ad Abdullah culpou os assassinatos ao seu noivo que, segundo ela, o tinha realizado para roubar seu tio. Em seu julgamento, Samar Sa’ad Abdullah afirmou que após sua detenção pela polícia de Hay al-Yadhra, em Bagdá, “foi espancada com um porrete nas solas dos pés e submetidas a choques elétricos para fazê-la confessar”. O juiz ordenou uma investigação sobre suas acusações e a condenou à morte.
Seu pai, Abd al Abdel ‘Karim-Majid, disse à Anistia Internacional que o julgamento foi concluído em menos de dois dias, que não lhe foi permitida a entrada na Corte e que Amal Abdel Amir-Zubadi, um dos advogados de Samar, recebeu ordens do juiz que instruía o caso para deixar o tribunal. A sentença de morte de Samar Sa´ad Abdullah foi confirmada pelo Tribunal de Cassação, em 26 de fevereiro de 2007.
Desde a re-introdução da pena de morte, em agosto de 2004, pelo menos mil pessoas foram condenadas à morte com um resultado de execução. Não existem números oficiais sobre o número de prisioneiros que enfrentam a execução.
Uma vez que todos os recursos se esgotaram, as sentenças de morte são encaminhadas para o Conselho Presidencial, composto pelo presidente e dois vice-presidentes, para sua ratificação depois da qual são executadas. O presidente, Yalal Talabani, se opõe à pena de morte e delega seus poderes de ratificação aos dois vice-presidentes que não se opõem ao seu uso. A Anistia Internacional exortou em repetidas ocasiões às autoridades iraquianas para estabelecer uma moratória imediata sobre as execuções.
“O governo iraquiano tem de acatar as exigências internacionais para suspender as execuções”, disse Philip Luther.
 
Fonte:http://www.amnesty.org/en/news-and-updates/news/over-900-people-death-now-iraq-face-imminent-execution-20091204                                            
 
 

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