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PM que participou do assassinato de João Roberto é absolvido pela justiça do Rio de Janeiro

No dia 24 de novembro, o ex-policial militar Elias Gonçalves, acusado de matar o menino de três anos, João Roberto Soares, em 2008, foi absolvido pela justiça do Rio de Janeiro.

O ex-PM participou da ação em que o carro de Alessandra Soares foi metralhado em uma rua do Rio de Janeiro. Ela estava acompanhada de João e do seu outro filho, de nove meses. Somente João Roberto foi atingido e não resistiu aos ferimentos. Os PMs alegaram que perseguiam um carro suspeito e o confundiram com o veículo dirigido por Alessandra. Como se isso justificasse o fuzilamento sumário de quem quer que fosse, e os 17 tiros desferidos contra o carro, inclusive mesmo quando Alessandra jogou a bolsa pela janela para sinalizar que havia uma família alí.

Essa é a pratica corrente da polícia do Rio. Atirar, matar e tratar a situação como procedimento normal.

O ex-PM foi absolvido por um júri popular dos crimes de lesão corporal e homicídio doloso, quando existe a intenção de matar. Mais uma vez, o próprio julgamento é conduzido de forma a apresentar uma situação que favorece os crimes da polícia. Um esquema montado para proteger procedimentos completamente ilegais. Decorre da mesma política dos autos de resistência.  Depois de mudar sua versão do crime três vezes, o ex-PM, em seu último depoimento em juízo disse que apenas atirou para o chão.

O pai de João Roberto, Paulo Soares, depois de muitas declarações revoltadas durante as diversas etapas do julgamento dos assassinos de seu filho, novamente expôs sua indignação: “as pessoas não podem matar outras em praça pública como eles fizeram. Nada justifica. Eles deram 17 tiros no carro parado. Minha mulher ainda jogou a bolsa para fora para mostrar que ali tinha uma família. Ele estava com intenção de matar, só isso. É um absurdo morar em uma cidade onde 92% dos homicídios não são elucidados. Não queremos mais isso, é um grito por justiça. A gente ainda ganhou uma indenização, mas eles não pagam. Tem gente há 20 anos esperando. A gente fica se humilhando. Até isso favorece a eles.”

Em dezembro de 2008, outro PM que participou do crime, William de Paula, o primeiro a ser julgado, foi condenado a sete meses de prisão em regime aberto. O Ministério Público recorreu e a sentença foi anulada. Ele aguarda em liberdade a abertura de um novo processo também no Tribunal do Júri.

CEBRASPO – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos
29 de novembro, 2011.

 

Punição para os torturadores do regime militar

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