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Pinheirinho: a ordem do fascismo.

 

Num domingo, dia 22 de janeiro, toda a truculência desencadeada contra as quase 9000 famílias desalojadas do bairro Pinheirinho, em São José dos Campos comprova a que ponto tem chegado os absurdos cometidos contra o povo pobre no Brasil. O CEBRASPO se solidariza com a população de Pinheirinho em sua justa luta pelo seu direito à moradia.E convoca todas as entidades, democratas, lutadores e todos que defendem os direitos do povo a denunciar mais essa agressão,  mais esse crime praticado contra o povo brasileiro.

Foram usados 2000 soldados da tropa de choque da PM de São Paulo, da ROTA e da  Guarda Municipal, com 220 viaturas, 40 cães e 300 agentes da Prefeitura. Na ação, realizada às 6:00hs da manhã, também foram utilizados blindados, helicópteros, cavalaria, armamentos letais, balas de borracha, gás lacrimogêneo e de pimenta. Segundo moradores que informaram à Agência de Notícias das Favelas, há sete mortes, inclusive de uma criança, ainda não confirmadas oficialmente. E um homem em estado grave internado no Hospital Municipal, ferido por bala letal. Fontes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos afirmam que há 5 civis mortos, um PM e um civil em estado grave. Celulares, telefones e internet foram cortados. Welington Castor Furtado , de 32 anos saía com sua filha de 10 meses no colo, quando foi atingido por uma bala que pode torná-lo paraplégico.

Nesta segunda, dia 23, a polícia fez mais cerca de 33 prisões. Ao todo são 48 pessoas presas. Crianças e idosos estão cercados no interior da ocupação e o advogado da ocupação, Toninho, foi atingido por bala de borracha e ainda foi preso. Marrom, líder comunitário, está desaparecido.  Câmeras e celulares estão sendo apreendidos. As forças de repressão tornaram o local inacessível e foram convocadas as polícias de 33 municípios para promover o massacre. A região se transformou em uma praça de guerra. Um clima de terror foi instalado para intimidar a resistência das famílias.

Além de helicópteros e dos veículos blindados, tratores estão no local para derrubar as mais de 2000 casas da comunidade.

A comunidade do Pinheirinho vive em um terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados, situado em São José dos Campos-SP, onde moram cerca de 10 mil pessoas desde 2004. A desocupação dos terrenos atende aos interesses da especulação imobiliária e respondem à denúncia da empresa Selecta, do investidor libanês Naji Nahas, que deve R$ 15 milhões só à prefeitura da cidade. Afora sua história de roubos e operações financeiras fraudulentas conhecidas em todo o país.

A Polícia Militar agiu sob as ordens diretas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). A ação traiçoeira da polícia foi às seis da manhã de domingo, dia em que  toda a comunidade realizaria mais uma assembléia, enquanto aguardava negociação na “justiça”.

Esse Estado e essa “justiça” deixam claro, mais uma vez, a que classe servem. Saem prontamente em defesa de um de seus mais característicos representantes, o bandido de colarinho branco. Para garantir os interesses de gente desse tipo, toda essa “justiça” e esse Estado se mobilizam imediatamente.

Enquanto atacam, reprimem e massacram o povo, para o qual não existe nenhum tipo de direito. Milhares de famílias, velhos, crianças, jovens, homens e mulheres, são agredidos brutalmente, massacrados e presos, por apenas lutarem pelo seu direito à moradia.

Essa escalada fascista vem se desenvolvendo no nosso país. Contra os que lutam no campo e na cidade. Essa mesma mobilização de forças militares e policiais para massacrar e assassinar o povo pobre que luta pelos seus direitos não acontece pela primeira vez. A repressão e desocupação com massacres e assassinatos já ocorreu em Belo Horizonte-MG, na Vila Corumbiara (1996); em Betim-MG, na Bandeira Vermelha (1998). E na fazenda Forkilha, em Redenção – Sul do Pará (2007). E recentemente, no mês de dezembro, quando o governo de Dilma Roussef convocou exército e aeronáutica para ameaçarem um novo massacre na fazenda Sta Elina, em Rondônia. É a mesma repressão que age nas comunidades do Rio de Janeiro. Sempre o mesmo Estado na manutenção dos privilégios e da alta concentração de riquezas dos grupos em torno do poder, enquanto reprime ferozmente a revolta e a luta do povo pelos seus direitos.

Essa é a característica que segue se acentuando e desenvolvendo o velho Estado no Brasil. E tanto as gerências estaduais quanto a federal se esmeram em cumprir essas exigências e a presidirem a mais feroz repressão contra o povo.  O crescimento do fascismo, a agressão contra os povos em luta, contra as populações e comunidades que defendem os seus direitos, essa tem sido a única alternativa desse Estado genocida por natureza. Sempre acompanhado e apoiado pela “justiça” e pelo monopólio de imprensa.

Não é esse ou aquele partido, todos os que querem gerenciar esse putrefato Estado, todos os que disputam seus lugares nessa máquina, além de sua promessa e cantos de sereia eleitoreiros se dispõe a fazer parte dessa mesma política genocida.

TODO APOIO A LUTA PELA MORADIA!

NÃO AO DESPEJO DAS FAMÍLIAS DA COMUNIDADE DO PINHEIRINHO!

PELO DIREITO DO POVO LUTAR PELOS SEUS DIREITOS!


CEBRASPO - Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos 

23 de janeiro de 2012.

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