O ativista Mumia Abu-Jamal, ex-militante do grupo Panteras Negras, não será mais executado, anunciou no dia 7 de dezembro a Procuradoria da Filadélfia, Pensilvânia, após 30 anos de muita luta, mobilização e batalhas legais.
Mumia foi condenado pela morte de um policial branco, em 1981. Dos seus 57 anos, ele passou mais de 30 sofrendo a degradação e violência de uma condenação claramente política e racista. Seu processo foi marcado pela intolerância e arbitrariedade.
O caso apresentou dezenas de falhas e comprovações de que Mumia não havia matado ninguém; todas as provas e fatos que comprovavam a inocência de Mumia foram ignorados pelo juiz Albert Sabo, que o sentenciou à morte. A investigação policial que levou à condenação de Mumia foi também marcada pela corrupção e adulteração de provas.
Está claro que Mumia foi preso e condenado por suas convicções e sua luta pelo direito dos negros e trabalhadores do USA. Mas isso não o calou. No cárcere, ele prossegue combatendo. Seus escritos semanais e comentários transmitidos pelo rádio diretamente da prisão alcançam pessoas em muitos países.
Apesar de a Procuradoria ter anunciado essa decisão e ter sido anunciado o reexame da condenação, o veredicto de culpa pela morte do policial não foi modificado. Milhares de pessoas se mobilizam no USA e em diversos países do mundo em uma campanha internacional pela sua libertação.
“Imaginemos o caso de um acusado: não lhe permitem defender-se; as testemunhas de defesa são afastadas. Lhe imputam o homicídio de um policial e o juiz é membro vitalício da Ordem Fraternal da Policia (FOP). Depois, sua apelação é rechaçada numa corte onde cinco dos sete juizes comprovadamente receberam contribuições e o endosso da FOP para suas respectivas candidaturas. Logo em seguida inventam uma ‘confissão’. Para mim, não se trata de ‘imaginação’ o porque das coisas acontecerem dessa forma”. (Mumia Abu-Jamal)
Está mais do que claro que Mumia nunca deveria ter ido para o corredor da morte e a justiça continua errando relegando-o à prisão pelo resto de sua vida - o que nada mais é que outra forma de pena de morte.
A verdadeira justiça só será feita quando Mumia for liberado e declarado inocente do crime que lhe imputaram. A comutação da pena de morte para a prisão perpétua não é o bastante. Esta mudança representa um novo começo para o movimento de luta em defesa de Mumia Abu Jamal e o CEBRASPO se une, mais uma vez, às forças que afirmam e exigem
LIBERDADE PARA MUMIA ABU-JAMAL!



